Sepulcro (Kate Mosse)

Que fique bem claro que, antes que eu comece a resenha, Sepulcro foi um dos livros mais difíceis e densos que já li. E enigmático também, já que durante a leitura e até mesmo no término da mesma, eu não consigo definir a minha apatia/antipatia por ele. Apenas não consigo dizer se é bom ou ruim, é uma incógnita.

Kate Mosse (não, não confunda com Kate Moss, a modelo famosa) ficou mundialmente conhecida com seu livro "Labirinto". Assim como Sepulcro, é uma obra de respeito, com 600+ páginas. Reconheci o livro em uma livraria da minha cidade, a bela capa chama a atenção. Mais ainda pelo baixo preço que se encontrava e logo comprei. Comecei a ler no mesmo dia, impulsionado pela misteriosa sinopse. Acabei descobrindo que ele é o segundo volume da Trilogia Languedoc, mas pesquisei e soube que os livros podem ser lidos de forma independente.

A escrita de Kate é difícil, não vou mentir. Ainda mais para quem não está habituado a termos, nomes e localizações francesas. Demorei um tempo mais do que o usual para conseguir ligar nomes a personagens, e para traduzir no google algumas frases em francês que são faladas durante a trama e que, por alguma prepotência da autora achar que todos deveriam saber ler ou por ser de fácil compreensão, não tinha nota de rodapé ou tradução. Senti também certa dificuldade em ter minha atenção presa, focada, e me peguei algumas vezes tendo que voltar no mesmo parágrafo para compreendê-lo. Léonie, Anatole, Marguerite, Rennes-les-Bains, Debussy e outros nomes próprios e toda uma atmosfera e ambientação densa me cansara um pouco. Mas por incrível que pareça, a leitura foi rápida e eu não conseguia deixar de ler o livro. Carreguei o mesmo para todo lugar comigo, tamanha força que a história parecia ter sobre mim.

A trama é histórica, ora mesclando com uma personagem no presente, Meredith (enfim um nome "comum") ora contando a vida de dois irmãos, Léonie, que era muito apegada ao mais velho, Anatole. Mesclando mistério, cartas de tarô, suspense, romance e drama, Sepulcro é, no mínimo, interessante. Sem dúvidas, a autora levou um bom tempo e inúmeras horas de pesquisas para compilar neste livro. É notável seu árduo trabalho, verificando os fatos expostos durante a leitura. É uma verdadeira viagem ao século 19. A descrição é completa, muito detalhada. que me fez pensar que Kate seria uma espécie de Tolkien feminina, um pouco mais chata e menos dinâmica.

O desfecho foi aceitável, pouco surpreendente e morno. Acho que o alívio de ter caminhado pelas 600 páginas acaba trazendo um sentimento fraterno por Sepulcro, que apresentou passagens incríveis, chatas e delongadas, passagens que poderiam ter um ápice mas acabou mantendo o nível comum, ainda que contando com fatos interessantes e do viés "ocultismo".

Não indico a todos. Foi um processo de desenvolvimento de paciência comigo, mas no fim, não é de todo ruim. É agradável introjetar um espírito mais pacífico e menos instantâneo, o qual estamos acostumados no século XXI. Dei três estrelas por ter ficado esperando um momento de tirar o fôlego (o qual imaginei inúmeras vezes) mas não aconteceu. Uma pena.

Ficha Técnica: Sepulcro - Kate Mosse. Suma de Letras. 600 págs.

Matéria escrita pelo colaborador Fabrício Raito.

11/12/2012

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