Orphan Black - Review da primeira temporada

Primeira temporada chega ao Netflix e trailer da segunda é divulgado

Por Renato J. Conceição

Produção canadense feita em parceria entre os canais BBC America e Space, Orphan Black teve seu primeiro episódio exibido na tv em março de 2013. Como já acompanho um número elevado de séries, somente agora pude conferir se o programa é, de fato, tudo aquilo que andam dizendo por aí. Fundamentada sob um roteiro até certo ponto complexo, em que quase tudo está envolto em segredos, tentarei ser o mais breve possível ao explicar a trama.

Logo no primeiro episódio, conhecemos Sarah Manning (Tatiana Maslany), uma mulher problemática, preocupada em reaver a guarda de sua filha, Kira (Skyler Wexler), e perseguida por seu ex-namorado drogado. Sarah tem em seu círculo de convívio, ainda, seu irmão adotivo Felix (Jordan Gavaris) e sua tutora, Mr. S (Maria Doyle Kennedy). A vida da personagem muda, no entanto, quando ela presencia, em uma estação de trem, o suicídio de uma mulher idêntica a ela. Motivada pelo choque e pela curiosidade, Sarah assume a identidade da desconhecida, descobrindo, posteriormente, que havia ocupado o lugar de uma policial. A partir daí, ela passa a investigar a vida de sua “gêmea” e o motivos de ambas terem a mesma fisionomia e, como toda boa ficção-científica, cada nova descoberta traz consigo uma infinidade de problemas para os personagens e mais uma porrada de novos questionamentos acerca do que está acontecendo.

Orphan Black | Selvageria

A 1ª temporada de Orphan Black se sustenta muito bem enquanto apresenta as figuras envolvidas na trama. Boa parte de tais figuras, inclusive, é vivida por Tatiana Maslany. E é justamente este o maior trunfo da produção. A atriz entrega para cada tipo que interpreta uma personalidade distinta e bem construída, conseguindo convencer perfeitamente o espectador. Ponto também para o elenco de apoio, para a ambientação, para a trilha sonora e para os efeitos especiais.

Os problemas da série começam, no entanto, com a proximidade do season-finale. A necessidade não tão necessária de iniciar uma 2ª temporada com todas as perguntas devidamente respondidas faz com que, do 8º ao 10º episódios, nos deparemos com um roteiro que se autossabota ao tentar fazer com que entendamos tudo o que está acontecendo na história. A esta altura, os roteiristas recorrem a artifícios questionáveis e resoluções fáceis, gerando furos e situações realmente decepcionantes. (SPOILERS) Por exemplo, voltando ao suicídio, como é que a polícia ficou tanto tempo sem solicitar as imagens geradas pelo sistema de monitoramento da estação de trem? E mais, como é que ninguém viu no vídeo que Sarah havia roubado os documentos da policial se tudo estava tão claro nas imagens? Muita coincidência a mãe de Sarah entrar em cena e trazer tantos esclarecimentos justamente naquele momento, certo? (FIM DOS SPOILERS). Mas não me entendam mal, mesmo diante desses recursos facilitadores, Orphan Black é uma boa série, instigante e que consegue prender a atenção de seu público.

Agora que sabemos tanto sobre a trama, suponho que a próxima temporada dará um enfoque maior à ação e à luta das protagonistas pela liberdade. Muita coisa poderia ser trabalhada mais lentamente, nós não precisávamos de todas as respostas agora, mas, se optaram por deixar tudo explicado, espero que a produção da série tenha muitas cartas na manga para sustentar o que está por vir.

A 1ª temporada de Orphan Black está disponível na Netflix e o primeiro trailer da 2ª temporada já está online. Assista:

Cotação: 3,5

12/03/2014

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