X-Men: Dias de um futuro esquecido - Crítica

X-Men: Days of Future Past (2014)

Por Brian A. Moreira
Poster Sinopse:

Os X-Men enviam Wolverine ao passado em um esforço desesperado para mudar a história e evitar um evento que resulta em desgraça para os seres humanos e mutantes.

Direção: Bryan Singer
Roteiro: Simon Kinberg
Elenco: Hugh Jackman, Ian McKellen, Patrick Stewart, Michael Fassbender, James McAvoy, Jennifer Lawrence, Ellen Page e muito, muito mais.
Duração: 131 minutos
Gênero: Ação | Aventura

Baseado na história em quadrinhos Days of Future Past, dividida em duas edições, The Uncanny X-Men #141 e #142.

“Estamos destinados a destruir uns aos outros, ou podemos mudar quem somos e nos unir?” (Professor Charles Xavier)

Os X-Men sempre foram um espelho da nossa sociedade e história, tanto nos quadrinhos, quanto nas séries animadas e filmes. A temática fantasiosa do grupo de super-heróis comumente trás subtextos críticos sobre o preconceito e intolerância. E X-Men: Days of Future Past não faz por menos, já se tornando um dos melhores filmes da franquia. O roteiro de Simon Kinberg não só contextualiza a raça mutante entre a História ao, por exemplo, culpar Magneto pelo assassinato de John F. Kennedy e usar a guerra do Vietnã como motivo para o fim da Escola Xavier, como também é carregado de monólogos e falas marcantes, que trazem grande peso emocional à trama.

Usado acertadamente como ponto humorístico forte logo no início do filme, a sequência com Pietro (Evan Peters), também conhecido como Mercúrio (Quicksilver), é surpreendentemente divertida e funciona perfeitamente sem afetar o peso dramático da estória. A cena não só resolve uma questão importante da trama, como também introduz o personagem para aparições futuras (e ele não é o único Maximoff introduzido aqui). E para bom entendedor, o diálogo entre Pietro e Magneto no elevador já deixa bem claro a relação entre estes personagens.

James McAvoy proporciona maior peso emocional ao construir um Charles Xavier abalado e desmotivado. Inclusive, o “tratamento” do personagem para afastar sua dor serve como metáfora à dependência de drogas. Em certo plano, vemos sua mesa de xadrez e alguns livros empilhados (objetos que o simbolizam) cobertos por garrafas de bebida, representando o estado desamparado do personagem. Mas após Charles Xavier se encontrar em meio a tanto sofrimento, e um belo plano mostrando este soprando a poeira do Cérebro, o personagem abraça sua dor e ressurge como o líder que conhecemos e respeitamos. E os figurinos de Louise Mingenbach demonstram esta mudança no personagem ao mostrar Charles inicialmente amarrotado e com o cabelo bagunçado, e gradualmente voltar à elegância de costume. As habilidades do professor também progridem numa escala que vai de “mal conseguir paralisar alguém” à “vasculhar rapidamente entre uma multidão para encontrar quem procura”. A fotografia de Newton Thomas Sigel também cria um diferencial, no começo projetando sombras sobre o Xavier desamparado com uma luz sem vida e, mais à frente, a mesma luz ilumina o Xavier ressurgido, porém radiante, forte e agradável.

Com apenas dois planos da mesma cena com o Magneto de Fassbender, a primeira mostrando o personagem num contra-plongée e a segunda mergulhando este em sombras, compreendemos sua imponência e frieza. Já Jennifer Lawrence trás as nuances da mística interpretada por Rebecca Romijn nos três primeiros filmes, criando uma rima elegante e eficaz. E me sinto no dever de parabenizar as coreografias de luta, os dublês e atores principalmente responsáveis pela eficácia das performances físicas de Mística e Fera.

A direção de arte junto à composição de set constrói não só o clima dos Anos 70’ de forma verossímil como também não hesita em criar metáforas interessantes, como por exemplo, ao exibir a famosa pintura francesa "A Liberdade Guiando o Povo", de Eugène Delacroix, abrangendo uma parede inteira, e em seguida mostrar Bolivar Trask como se saísse de dentro da obra, compara os ideais do personagem com a simbologia da pintura. Aliás, Peter Dinklage constrói um antagonista misterioso e multidimensional, sem apelar para interpretações caricatas e artificiais. O eficiente trabalho de montagem estabelece o passado e futuro da trama sem causar confusão para quem assiste, assim como a mise-en-scène e a geografia dos ambientes, até mesmo em meio às cenas de ação, são construídas de forma com que saibamos exatamente o que está acontecendo, onde está acontecendo e com quem está acontecendo.

X-Men: Days of Future Past funciona como uma adaptação e também como continuação. Amarra pontas soltas deixadas por filmes anteriores e resolve questões cruciais para o continuar desta bela franquia.

Há uma cena crucial após os créditos.

Nota do Selvageria:

24/05/2014

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Brian A. Moreira

Brian A. Moreira

Hipotético designer e ilustrador. Diretor do Selvageria. Overthinker, coffee addict and cinema lover. Tudo isso ao som de Beatles!

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