Como Treinar seu Dragão 2 - Crítica

How To Train Your Dragon 2

Por Brian A. Moreira
Poster Sinopse:

Quando Soluço e Banguela descobrem uma caverna de gelo que é lar de centenas de novos dragões e o misterioso montador de dragões, os dois amigos se encontram no centro de uma batalha para proteger a paz.

Direção e roteiro: Dean DeBlois
Elenco: Jay Baruchel, Cate Blanchett, Gerard Butler, Jonah Hill, Kristen Wiig, Kit Harington e Djimon Hounsou.
Duração: 102 minutos
Gênero: Ação | Aventura

Baseado na série de livros "Como treinar seu dragão", de Cressida Cowell.

“.. E com os Vikings montando seus dragões, o mundo ficou bem maior.”

Assim como seu antecessor, este filme inicia e encerra numa narração em off do protagonista Soluço, nos contando como vão as coisas em Berk, seu lar. Passaram-se cinco anos desde os eventos ocorridos no primeiro filme. Agora, os Vikings vivem em harmonia com os dragões e muitas coisas surgiram com isso: Inventaram um esporte para jogar com as criaturas (remotamente parecido com o Quadribol); novos serviços foram necessários, como a ‘lavagem de dragão’; e também aprenderam a lidar com os problemas inevitáveis, criando até um ‘sistema de prevenção de incêndios’. Além de sua ocupação de costume trabalhando para o viking Gobber, Soluço e Banguela estão descobrindo novos territórios e expandindo o mapa de Berk. “.. E com os Vikings montando seus dragões, o mundo ficou bem maior.” Diz Soluço em certo momento, refletindo não só em como agora os vikings literalmente conhecem bem mais território, como também a melhoria de estilo de vida deste povo agora que convivem em paz com os dragões.

Aproveitando a ideia de que os vikings vêm expandindo seu conhecimento ao longo dos anos, o Departamento de Arte se preocupa em criar novas espécies de dragões, misturando cores e habilidades antes (no primeiro filme) desconhecidas, comprovando que muito foi descoberto nestes cinco anos que se passam entre o primeiro filme e este. Aliás, os vikings também se mostram mais habilidosos ao voar com dragões, fazendo movimentos acrobáticos e pulando de um para outro sem dificuldades. Assim como Soluço se mostra bem mais confiante montado ou não no Banguela, usando novos artifícios que o possibilita a lidar com novos dragões e até mesmo voar por conta própria. E Banguela, se mostrando mais uma vez o personagem mais carismático de toda a franquia, diverte quase que o tempo inteiro sem nenhum esforço. O dragão exerce também um papel de maior peso dramático neste filme e eu diria até que foi o personagem mais desenvolvido do longa.

O filme passa uma mensagem (assim como o primeiro filme) a respeito da imposição de poder e controle exercida pelos mais fortes através do medo em vez do respeito mútuo, o que funciona como um espelho da nossa sociedade, seja este refletindo o governo, a religião ou o mais semelhante, a relação do Homem com os animais. E é exatamente por isso que a cena onde o antagonista é introduzido funciona tão bem, já que este consegue impor temor apenas com seu largo porte físico e suas vestes completamente negras, mas também entra em cena já dominando um dragão de tal forma que, ao fim daquela introdução, o vilão enterra um de seus pés sobre a cabeça da criatura, demonstrando exatamente sua pretensão.

A direção de Dean DeBlois trás planos belíssimos e contemplativos, onde a câmera se encontra muito das vezes bem afastada para que enxerguemos a grandeza dos ambientes e das criaturas (me lembrando do recente Godzilla). A fotografia acerta ao diferenciar os momentos e lugares mais felizes e agradáveis ao manter maior iluminação, cores vivas e tempo ensolarado, dos mais perigosos e sombrios, estes sempre mais escuros, dessaturados e até mesmo nublados (me lembrando do cemitério de elefantes de O Rei Leão, que seguia a mesma lógica estética). A narrativa possui um ritmo eficiente, sem parar a estória para momentos descartáveis que acabariam não acrescentando em nada, o que justifica todos os cento e dois minutos de projeção.

O 3D é funcional, porém pouco utilizado. Muitos dos planos do filme possuem uma profundidade de campo pequena, embaçando o que acontece em primeira ou terceira pessoa, o que interfere na eficiência da técnica 3D. Levando em consideração que a direção também precisa se preocupar com a estética de seu filme nas cópias 2D, podemos entender o motivo disso, mas mesmo assim aqui e ali temos momentos em que o 3D funciona e diverte. Eu não diria para evitar as sessões 3D deste filme.

Como Treinar seu Dragão 2 diverte, emociona e impressiona. E este último adjetivo precisa ser enfatizado, pois constantemente somos surpreendidos pelos acontecimentos que ocorrem durante todo o filme. E se pouco depois do lançamento do primeiro, veio a confirmação desta continuação. Não me surpreenderia se daqui alguns meses ouvíssemos da Dreamworks que um terceiro filme está a caminho.

Nota do Selvageria:

20/06/2014

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Brian A. Moreira

Brian A. Moreira

Hipotético designer e ilustrador. Diretor do Selvageria. Overthinker, coffee addict and cinema lover. Tudo isso ao som de Beatles!

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