Mama (2013)

Título original: Mama

Poster Sinopse:

Annabel e Lucas são confrontados com o desafio de criar as jovens sobrinhas de Lucas que ficaram sozinhas na floresta por cinco anos. Mas, o quão sozinhos eles estão?

Diretor: Andrés Muschietti
Elenco: Jessica Chastain, Nikolaj Coster-Waldau, Megan Charpentier e Isabelle Nélisse.
Duração: 100 minutos
Gênero: Terror / Suspense

Annabel, vivida pela linda e talentosa Jessica Chastain, é baixista de uma banda de rock (estereótipo para irresponsável) e namorada de Lucas (Nikolaj Coster-Waldau), tio de duas garotinhas encontradas recentemente após viverem sozinhas em uma cabana no meio da floresta durante cinco anos devido um acidente. Agora Lucas luta pela custódia das crianças enquanto Annabel se adapta ao novo estilo de vida. Porém, as crianças constantemente mencionam uma figura materna, cujo elas chamam de Mama. Produzido (não dirigido) por Guillermo del Toro, “Mama” talvez não seja considerado por todos um grande filme, mas há de se concordar que é inegavelmente surpreendente.

Sem spoilers.

Surpreendente? É porque “Mama” inova tanto de um ponto de vista técnico quanto no desenvolvimento de sua trama. Claro que há alguns clichês. Mas, se me permite dizer, são clichês bem utilizados em suas cenas e não nos trazem aquela sensação de “Ah, já vimos esta cena em outros filmes”.

“Mama” se importa em realizar uma construção de personagem durante sua narrativa, trazendo Annabel como a protagonista que conhecemos logo em sua primeira cena agradecendo a deus de forma esnobe por seu teste de gravidez ter dado negativo. Mostrando claramente que Annabel não quer filhos e, olhando mais a fundo, também evita abraçar responsabilidades. Essa característica da personagem - estampada em nossas faces - se desenvolve aos poucos ao longo do longa (trocadilho bobo) de forma elegante e constrói um perfeito contraste com a Annabel de sua cena final. Falando em contraste, as duas garotinhas que movem a trama e o suspense causam esta mesma sensação, já que por mais bonitinhas e engraçadinhas que sejam fisicamente, estão sempre demonstrando comportamentos estranhos e assustadores (Lembram da Órfã?). Infelizmente, o personagem Lucas pouco se desenvolve na narrativa, já que é jogado pra fora da tela em quase toda a duração do filme.

Quanto ao ponto de vista técnico, a direção do estreante Andrés Muschietti agrada por suas escolhas interessantes e, na minha opinião, bem utilizadas. Com uma paleta de cores fria (um tanto azul) em boa parte dos cenários, o calor fica apenas para o conforto da casa e, percebam, para a própria Mama. Além disso, a tensão é igualmente criada nos diversos usos de posicionamento de câmera, como por exemplo, a steady cam por trás dos personagens (e também pela frente), lembrando momentos do clássico “O Iluminado”; uma cena em particular com uma câmera estática que nos mostra o corredor e o quarto das garotas, lembrando aqui um pouco do realismo de “Atividade paranormal”; e uma cena no escuro onde a única forma de iluminação é o constante uso do flash da máquina fotográfica do personagem (este me lembrou do jogo “Fatal Frame”).

Falando em tensão, o filme não desaponta em suas cenas de sustos e muitas vezes transforma o clichê no imprevisível. Criando aqui momentos fortes e intensos num suspense que se prolonga até a última cena. Cena esta que talvez seja a grande surpresa do longa, optando por um caminho completamente oposto aos filmes de terror comerciais, se demonstrando confiante em sua própria mitologia e fiel ao ar dramático do filme.

Como disse anteriormente, “Mama” talvez não alcance uma grande resposta de público e crítica, mas certamente é um filme que vale a pena conferir.

Confira o trailer

30/04/2013

NOTA DO SELVAGERIA:

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Brian A. Moreira

Brian A. Moreira

Hipotético designer e ilustrador. Diretor do Selvageria. Overthinker, coffee addict and cinema lover. Tudo isso ao som de Beatles!

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